José Paulo Fafe agarra-se à administração da Global Media: “Não saio aos empurrões”

José Paulo Fafe agarra-se à administração da Global Media: “Não saio aos empurrões”

José Paulo Fafe recusa sair da administração da Global Media. Questionado pelo Expresso se irá apresentar um pedido de demissão, na sequência das demissões conhecidas esta quinta-feira à noite de dois elementos da comissão executiva, o presidente executivo do grupo remeteu uma resposta para a assessoria de comunicação do grupo, que indicou que “não há comentários”.

Acabaria no entanto por enviar uma tomada de posição à notícia divulgada pelo jornal Eco segundo a qual os acionistas minoritários da Global, entre os quais o presidente do conselho de administração, Marco Galinha, tencionam destituí-lo em assembleia geral. Citou “uma frase do saudoso Dr. Francisco Salgado Zenha que, em 1975, respondeu aos inimigos da liberdade que o queriam calar: “Eu não saio aos empurrões””.

A reação à notícia do Eco resume-se praticamente a um ataque a um dos acionistas minoritários, José Pedro Soeiro: “Sem dar a cara, aliás como é habitual, vai ‘plantando’ notícias por aqui e acolá, sempre a coberto de um ‘off’ que ele pensa protegê-lo das bastas responsabilidades que possui na situação que a atual gestão herdou” no grupo. Fafe acusa-o de recusar “contribuir para a solução da grave situação em que vive o grupo, “ora recusando financiá-lo, ora furtando-se a pronunciar-se sobre uma proposta que resolveria de imediato toda esta situação”.

Essa proposta, explicou ao Eco, passava pela compra pelo World Opportunity Fund, que controla o grupo, de alguns ativos como o Diário de Notícias, a TSF e o Açoriano Oriental.

Na quinta-feira os administradores executivos Paulo Lima Carvalho, que tinha o pelouro dos recursos humanos, e Filipe Nascimento, que tinha o pelouro financeiro, apresentaram a demissão alegando o incumprimento das condições que tinham estado na base da aceitação dos convites para integrarem a administração da Global Media. A administração da empresa ficou assim com apenas quatro membros – já tinham entretanto saído mais três administradores, o executivo Diogo Agostinho e os não executivos Carlos Beja e Victor Menezes. Além do próprio Fafe, mantêm-se Marco Galinha e os não executivos António Mendes Ferreira e Kevin Ho.

Os acionistas minoritários esperavam que Fafe saísse pelo seu próprio pé mas admitem, se tal não acontecer, avançar para a destituição na assembleia geral que anunciaram que vão convocar para resolver os problemas do grupo. José Paulo Fafe foi nomeado para a administração da Global Media em setembro em representação do World Opportunity Fund, que tomou então a maioria do capital. O mesmo fundo que lhe terá prometido na semana passada que iria proceder a uma transferência para pagar os salários de dezembro que estão em atraso para alguns trabalhadores e que entretanto viria, segundo Fafe, a mostrar indisponibilidade para transferir esse dinheiro – enquanto não for anunciada a decisão da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) relativa ao procedimento administrativo aberto contra o fundo e enquanto não for retirado o procedimento cautelar de arresto avançado por Marco Galinha.

O procedimento cautelar de arresto não foi retirado e a decisão da ERC será conhecida na próxima semana, quando termina o prazo de 10 dias para o WOF apresentar a informação que está em falta. Se essa informação não chegar ou voltar a ser insuficiente, a ERC determinará a suspensão dos direitos de voto e patrimoniais do fundo e por essa via a administração acabará por cair e os acionistas minoritários passarão a gerir a empresa.

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